Vídeos incentivam misturar medicamentos com energéticos para obter disposição; Anvisa alerta para riscos

Mão de uma pessoa derramando pequenas pílulas brancas de um frasco marrom na palma da outra mão, que está aberta e com as linhas da pele visíveis

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicou um comunicado para alertar sobre os riscos de misturar medicamentos controlados com energéticos, prática que, segundo o órgão, está sendo incentivada por vídeos caseiros que circulam nas redes sociais sob a promessa de energia e alta performance nas atividades diárias.

Medicamentos, porém, não devem ser usados de forma recreativa, afirmou a agência. “Receitas que circulam na internet podem gerar muitos riscos para a saúde física e mental. Segundo cardiologistas, a mistura pode levar a problemas cardíacos e aumento da pressão arterial”, disse o órgão, em nota.

A Anvisa alerta que o consumo recreativo de alguns medicamentos, associados a substâncias como cafeína e taurina, pode gerar efeitos inesperados.

Como:

  • Taquicardia (aumento dos batimentos cardíacos);
  • Elevação da pressão arterial.

Esses sintomas, segundo a agência, podem ainda levar o corpo a sofrer um colapso, mesmo em pessoas jovens e sem histórico de doenças no coração. E o risco é ainda maior quando o medicamento em questão é de uso controlado, ou seja, que exige receita médica específica e retenção do documento na farmácia. Segundo a Anvisa, misturar medicamentos controlados com energéticos aumenta.

Entre outras coisas:

  • O risco de dependência física, química ou psicológica;
  • Alterações na forma de sentir e pensar;
  • A exposição a situações de acidentes e violências, como quedas e brigas.

A agência destaca que a avaliação do registro de um remédio sempre envolve investigar seus riscos e benefícios, que depois são colocados na bula para orientar profissionais de saúde e pacientes. Qualquer fármaco possui eventos adversos previstos, mas “o uso sem necessidade ou orientação deixa o usuário apenas com os riscos”, adverte a Anvisa.

“Apesar de o todo cuidado exigido, o uso desses produtos vem sendo banalizado em brincadeiras nas redes sociais. Por essa razão, o uso desses medicamentos exige acompanhamento médico rigoroso e contínuo, com monitoramento das doses, do tempo de tratamento e das particularidades de cada paciente”, alerta o órgão.

A Anvisa acrescenta ainda que a sensação de cansaço permanente pode ser sinal de algum problema de saúde, como anemia, problemas na tireoide, apneia do sono ou depressão. “Portanto, o recomendado é nunca recorrer à automedicação. Procure sempre um médico para avaliar o caso“, diz a nota.

A prática regular de exercícios físicos, dormir bem, buscar uma alimentação equilibrada e se hidratar são alguns dos exemplos citados pela agência para ajudar a ter mais vigor e disposição na rotina.