
O ex-governador de São Paulo Márcio França (PSB) está pilotando, com a ciência do ex-presidente e pré-candidato ao Palácio do Planalto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de seu entorno, uma operação política delicada para tentar atrair o apoio do PSD ao petista já no 1º turno e se consolidar como candidato ao governo do Estado.
O acordo é difícil. Envolveria atores políticos de 2 dos principais Estados.
A proposta é a seguinte:
- São Paulo – Fernando Haddad retira a pré-candidatura a governador, apoia Márcio França (que tem melhor relação com Gilberto Kassab, presidente do PSD) e disputa o Senado. Felício Ramuth (PSD) seria vice. Também é avaliada a possibilidade de Haddad e França renunciarem e um 3º nome ser pactuado entre PT, PSB e PSD.
- Rio de Janeiro – PSB e PT rifam Marcelo Freixo (PSB) e apoiam para governador um nome ligado a Eduardo Paes (PSD). Freixo poderia ser candidato ao Senado. A chapa para o governo seria composta por Felipe Santa Cruz (PSD) com André Ceciliano (PT) na vice, ou o contrário;
- PSD na coligação – como contrapartida, a sigla apoia Lula desde o 1º turno.
O argumento é que tanto Haddad quanto Freixo têm dificuldades para cativar o eleitorado de fora da esquerda. Eles, porém, têm aparecido bem colocados nas pesquisas eleitorais.
Isso os torna menos propensos a desistir de suas pré-candidaturas. Haverá atrito com ambos caso a manobra prospere.
Hoje, o petista lidera as pesquisas de intenção de voto para governador em São Paulo. Levantamento Genial/Quaest divulgado em 12 de maio mostra Haddad com 30%. França é o 2º, com 17%.
Pesquisa do mesmo grupo no Rio de Janeiro mostra Freixo em 2º, com 18%. O atual governador, o bolsonarista Cláudio Castro (PL), lidera com 25%. O levantamento foi divulgado em 17 de maio.
Ao menos em São Paulo, a operação já foi desencadeada. Kassab e Ramuth foram abordados. O pré-candidato do PSD a governador sinalizou que pode aceitar ser vice de França.
Um eventual acordo também poderá passar pelo compromisso de os partidos em torno de Lula apoiarem a reeleição de Rodrigo Pacheco (PSD) à presidência do Senado, em 2023.





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