
O União Brasil, partido resultante da fusão de PSL e DEM, pretende usar seu novo tamanho para disputar a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, a principal da Casa. A junção foi validada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira (08).
Há, porém, um óbice: o partido não existia quando o principal arranjo para eleger presidentes de comissões foi feito no início da legislatura, em 2019. Os integrantes da sigla agora buscam uma forma de contornar essa restrição.
Técnicos da Câmara divergem sobre o assunto. A tendência, porém, é que prevaleça uma interpretação do Regimento Interno da Casa que permite ao novo partido disputar a comissão.
PSL e DEM somam, atualmente, 81 deputados. Vários são bolsonaristas e sairão da sigla assim que puderem fazê-lo sem risco de perder os mandatos – haverá um prazo para os descontentes com o União Brasil deixarem o partido.
A soma de deputados eleitos, porém, também será 81. Esse número não sofre alteração com migrações e é o que importa para dividir as presidências de comissões. Assim, o União Brasil teria a maior bancada.
Se todos os partidos disputassem isoladamente as comissões, a nova legenda poderia ser a primeira a escolher qual comissão presidir. Mas existem os blocos.
Decisão no 1º ano
Os blocos formados no 1º ano da legislatura valem durante todo esse período para a escolha de presidências de comissões.
O maior bloco tem direito a escolher primeiro qual colegiado quer presidir – normalmente, a CCJ, por ser a mais importante.
Depois, os partidos integrantes do grupo chegam a um acordo político sobre qual sigla terá a presidência de quais das comissões que couberem ao bloco.
DEM e PSL existiam no começo da Legislatura e entraram no mesmo bloco. Mas o União Brasil, não.
Os técnicos da Câmara têm duas interpretações sobre como tratar o caso:
- Fora do bloco – o União Brasil não existia quando os blocos foram formados, portanto, só poderia disputar comando de comissões como partido avulso, o que reduziria a quase zero as chances de a legenda conseguir a CCJ;
- Dentro do bloco – como DEM e PSL estão no bloco, o partido que resulta da fusão também está, o que mantém as chances de a sigla ficar com a CCJ. Essa interpretação provavelmente prevalecerá.






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