
VEJA
Nas últimas cinco décadas, o grupo do ex-presidente, ex-governador e ex-senador José Sarney (MDB), de 92 anos, perdeu apenas três eleições no Maranhão. A primeira derrota sinalizou novos tempos, mas foi fugaz: eleito em 2006, Jackson Lago (PDT) teve a chapa cassada em 2009 e deu lugar a Roseana Sarney (MDB), filha do patriarca, que ficara em segundo na disputa ao governo. A decadência do clã veio com as derrotas para Flávio Dino (PSB), em 2014 e 2018. “Derrotamos para sempre o coronelismo e o regime oligárquico maranhense”, bradou Dino ao ser eleito pela primeira vez, pelo PCdoB. Em 2022, no entanto, o ex-comunista e os Sarney deverão subir no mesmo palanque. O MDB de Roseana e o PV, presidido localmente pelo deputado estadual Adriano Sarney, neto do ex-presidente, caminham para apoiar o governador Carlos Brandão (PSB), ex-vice de Dino, que vai disputar o Senado. Mas além de retomar a influência local, o clã também prepara a volta ao palco nacional.
Protagonista do último projeto presidencial dos Sarney, em 2002, quando chegou a liderar a disputa ao lado de Lula, mas abandonou a candidatura após uma operação da Polícia Federal contra ela e seu marido, Jorge Murad, Roseana encarna o “plano Brasília 2023”. Sem cargo desde que concluiu o quarto mandato de governadora, em 2014, e derrotada por Dino em 2018, ela preside o MDB local e liderava as pesquisas ao governo, mas decidiu disputar a Câmara. Sob a estratégia do partido de aumentar a bancada na Casa, as chances de sucesso são tão grandes que aliados esperam dela a maior votação no estado.
Um triunfo de Roseana levará o sobrenome famoso a Brasília por meio do voto depois de um hiato de quatro anos, o primeiro desde que o patriarca José chegou ao Senado, em 1971. Depois disso, ele se manteve em Brasília de forma ininterrupta até 2015, como senador e presidente da República, e teve a companhia de Roseana em dois momentos — como deputada, entre 1991 e 1994, e senadora, de 2003 a 2009. O último membro do clã com mandato na capital foi Sarney Filho, o Zequinha, deputado de 1983 a 2018, mas que não conseguiu voltar ao centro do poder porque ficou em terceiro na eleição ao Senado. Hoje, o único Sarney na cidade é Zequinha, que é secretário do Meio Ambiente do governador Ibaneis Rocha (MDB).
Enquanto ensaia a volta a Brasília levado pelo eleitor, o clã também prepara a volta ao poder no Maranhão. Segundo políticos do MDB próximos a Roseana, o anúncio do apoio a Carlos Brandão está próximo. “Estamos praticamente fechados”, diz o vice-presidente da sigla no estado, deputado Roberto Costa. A aproximação já vem de algum tempo. Em outubro, Dino buscou o apoio de Sarney para ser eleito à cadeira da Academia Maranhense de Letras deixada por seu pai, Sálvio Dino, morto em 2020. Durante a pandemia, os canais de comunicação do Grupo Mirante, de Sarney, abriram espaço para o governador. Além disso, Dino deu apoio ao deputado Baleia Rossi, presidente nacional do MDB, ao comando da Câmara em 2021.
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