
Por Mirella Araújo/JC
Em 2021, os 25 deputados federais da bancada de Pernambuco gastaram R$ 9,9 milhões com a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP). Esse valor representa 17% a mais do que havia sido gasto em 2020, cujo total foi de R$ 8,4 milhões – um aumento maior do que a inflação. Essa verba indenizatória é utilizada para ajudar nas despesas dos 513 deputados federais e 81 senadores, relacionadas ao desempenho do mandato.
Um levantamento através dos dados abertos disponíveis no site da Câmara dos Deputados para avaliar as despesas dos 25 parlamentares que compõem a bancada pernambucana. O aumento do valor das passagens aéreas e do combustível, por exemplo, são alguns dos argumentos utilizados pelos deputados federais para justificar os gastos elevados com a cota.
No ano passado, com a dinâmica das atividades legislativas impactadas diretamente pela pandemia da covid-19, tendo sido adotado o sistema remoto até o dia 25 de outubro, quando as atividades presenciais puderam ser retomadas, os maiores gastos dos deputados pernambucanos foram com divulgação de atividade parlamentar (R$ 1,976 milhão); aluguel de veículo (R$ 1,904 milhão); e passagens aéreas (R$ 1,842 milhão).
“Cabe salientar que a divulgação da atividade do parlamentar não pode caracterizar propaganda política. De acordo com a jurisprudência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), essa divulgação não deve enaltecer os méritos pessoais do candidato para o exercício da função pública, ou fazer menção a candidatura, eleições ou pedido de votos, ainda que de forma subliminar”, explica a cientista política pela UFPE e criadora do Pernambuco Transparente, Raquel Lins.
No ranking, o campeão de gastos de 2021 é o deputado federal Sebastião Oliveira, líder do Avante, cujo o gasto da cota parlamentar foi de R$ 500.844,89. A maior despesa do parlamentar foi com a contratação de consultoria e pesquisas, no valor total de R$ 119 mil. Por nota, Sebastião informou que esse gasto em específico foi necessário já que em 2021 ele assumiu a liderança da bancada do seu partido.
“Ao assumir, no ano passado, a liderança do Avante, na Câmara dos Deputados, precisei recorrer aos subsídios fornecidos pelas consultorias e pesquisas para reforçar o meu entendimento sobre assuntos de total relevância para o país e, consequentemente, para os brasileiros. A atenção e o conhecimento amplo em nível nacional são imprescindíveis para tal função”, afirmou Oliveira.
Em seguida, o deputado federal Bispo Ossesio (Republicanos) também figura entre os que mais gastaram os recursos da cota parlamentar, com R$ 485.244,43. Cerca de 30% deste valor foram gastos com aluguel de veículos – R$ 146.400. A reportagem entrou em contato com o deputado Ossesio, mas não obteve retorno.
Em terceiro lugar está o deputado federal Ricardo Teobaldo (Podemos) que gastou R$ 475.394,77, sendo a maior despesa com a manutenção de escritório R$ 165.872,98, o que corresponde a 34,89%, seguido de R$ 150.213 para aluguel de veículos, que dá 29,75% das despesas. Teobaldo afirmou que os custos de um modo geral aumentaram muito no ano passado.











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