
Dois trechos estratégicos de rodovias federais que cortam o estado de Pernambuco foram oficialmente incluídos no plano de estudos do governo federal para uma eventual concessão à iniciativa privada. A medida faz parte de um pacote abrangente que engloba mais de 3.100 quilômetros de estradas distribuídos por nove estados das regiões Norte e Nordeste.
Em Pernambuco, o mapeamento contempla a BR-116, no trecho compreendido entre Salgueiro e Belém do São Francisco, e a BR-104, no segmento que se estende de Taquaritinga do Norte até a divisa com o estado de Alagoas, no município de Quipapá.
O acordo foi assinado entre o Ministério dos Transportes e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), estipulando que os levantamentos técnicos sejam concluídos até o ano de 2030.
Avaliação de fluxo e viabilidade econômica antes do leilão
O papel do BNDES na estruturação dos projetos consiste em mapear com precisão os gargalos estruturais e a demanda das vias. Segundo o superintendente da área de soluções para a infraestrutura do banco, Ian Guerreiro, a instituição atua no suporte técnico ao Ministério dos Transportes realizando a análise detalhada da necessidade de investimentos e do fluxo diário de cargas e veículos que transitam por essas rodovias.
Somente após a finalização desses levantamentos é que o governo federal definirá quais trechos seguirão para licitação. A assinatura de qualquer contrato de concessão permanece condicionada à efetiva comprovação de viabilidade econômica e técnica do projeto.
Antecipação de investimentos versus novos custos para os usuários
A inclusão das rodovias federais no programa de concessões gera debates sobre os impactos financeiros e sociais para a população. De acordo com o engenheiro e especialista em infraestrutura e transportes Maurício Pina, o principal benefício da concessão é a capacidade de antecipar investimentos públicos por meio do capital privado. Em períodos de restrição orçamentária do setor público, o aporte de empresas privadas supre a incapacidade financeira do Estado de realizar obras necessárias, liberando recursos governamentais para outras políticas públicas prioritárias.
Por outro lado, o especialista aponta que a medida traz um contraponto para quem reside ou trafega frequentemente na região. Para a sociedade local, surge a percepção de perda devido à introdução de uma nova tarifa pelo uso da rodovia, o pedágio, criando um custo recorrente para os usuários que antes utilizavam a via sem essa cobrança direta.

















