
Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)
Ade Maleu Lapa-el – Hoje o brilho fica mais intenso, vamos trazer para galeria o genial Dedé Monteiro.
Papa – José Rufino da Costa Neto (Dedé Monteiro), nasceu no dia 13 de setembro de 1926 no sítio Barro Branco, de Tabira (PE), é reconhecido com merecimento como um dos maiores nomes entre os poetas nordestinos. Extraímos duas árvores abaixo da rica floresta poética do nosso “Papa da Poesia’, “Patrimônio Vivo de Pernambuco” e “Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)”. Os sonetos “As Quatro Velas” e “Soneto de Revolta” podem integrar qualquer obra que mencione este estilo. Uma particularidade de Dedé Monteiro é, com absoluta certeza, o poeta que mais li e declamei.
Quatro velas ardiam sobre a mesa,
E falavam da vida e tudo o mais.
A primeira, tristonha: “Eu sou a Paz,
Mas o mundo não quer me ver acesa…”
A segunda, em soluços desiguais:
“Sou a Fé! Mas é triste a minha empresa:
Nem de Deus se respeita a Realeza…
Sou supérflua, meu fogo se desfaz…”
A terceira sussurra, já sem cor:
“Estou triste também, eu sou o Amor…
Mas perdi o fulgor como vocês…”
Foi a vez da Esperança – A Quarta Vela:
“Não desiste ninguém, que a vida é bela!
E acendeu novamente as outras três!
Que culpa tenho de ser diferente?
Amar as artes, por ventura, é crime?
Tudo é mutável , e o irreverente
Não se acostuma com qualquer regime.
Contra a vontade rude e indiferente,
Eu sou amante do sagrado time
Que empresta a alma, sofre, cria e sente,
E se sente nojo do poder que oprime.
Aprendam isso: gente não doma.
Pichem meu nome, rasguem meu diploma…
Aceito tudo com tranquilidade.
Se acharem pouco, cubram-me de lodo,
Cortem meu riso, me excomunguem todo,
Mas não me toquem na dignidade!





















