
Por Robson Bonin/VEJA
O escândalo de monitoramento ilegal da Polícia Federal contra o ministro André Mendonça, despertou no STF um velho fantasma de gestões passadas do presidente Lula, quando órgãos do governo petista foram flagrados monitorando ilegalmente magistrados da Corte.
Em 2008, no segundo mandato de Lula, os repórteres de VEJA Policarpo Junior e Expedito Filho revelaram a existência de um grampo da Abin contra o atual decano do STF, ministro Gilmar Mendes, que presidia o tribunal.
Sem negar a existência da interceptação telefônica ilegal, já que VEJA publicou a transcrição de diálogo entre o presidente do STF, Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres, o diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, prometeu, em nota oficial, apurar o que ocorreu.
As ações clandestinas da gestão petista contra o Supremo, naqueles dias, provocaram consequências imediatas para Lula.
Foi numa manhã de setembro de 2008 que o petista recebeu no Planalto o então presidente do tribunal, que era ele próprio vítima de atos ilegais da Abin.
Naqueles dias, o vice-presidente do Supremo, Cezar Peluso, e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Britto, também participaram da reunião com Lula e, depois, se reuniram no STF para deliberar de forma urgente sobre a crise.
Naqueles dias, o vice-presidente do Supremo, Cezar Peluso, e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Britto, também participaram da reunião com Lula e, depois, se reuniram no STF para deliberar de forma urgente sobre a crise.
Um ano antes, quando as suspeitas de que a gestão do PT estaria espionando o Supremo, o ministro Celso de Mello surgiu na capa de VEJA condenando a crise. “É intolerável essa atmosfera que vivemos com a conduta abusiva de agentes ou órgãos estranhos no aparelho de Estado”, disse Mello.
Naqueles idos do governo Lula, Gilmar Mendes também travou uma guerra com a Polícia Federal por vazar informações inverídicas ou destinadas a constranger o próprio Mendes no STF.
“A Polícia Federal, durante todo o governo Lula, praticou com grande tranquilidade o vazamento. E eu acho até que é uma das marcas da gestão Paulo Lacerda [ex-diretor-geral da instituição] na Polícia Federal era o vazamento. Só que o vazamento era dado às emissoras de televisão”, afirmou Mendes, em registro da Folha, em 2009.

A agilidade daquele período não se vê agora, quando o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, foi afastado por Mendonça, após um relatório de inteligência comprovar ações ilegais de monitoramento contra o ministro do Supremo.
O presidente Lula não convocou reunião nem foi cobrado pelo presidente do STF, Edson Fachin, a se manifestar sobre a conduta da PF, um órgão do Executivo.
Ninguém questionou o fato de o ministro Mendonça e o chefe da AGU, Jorge Messias, estarem na mira da PF por serem eles personagens da investigação que envolve o empresário Fábio Luís Lula da Silva. Mendonça é o relator da apuração contra o filho de Lula. Messias foi pressionado no governo a tentar blindar o filho de Lula.
Ler mais