
Do G1
O óleo diesel é o combustível do campo e o preço está subindo bem na hora de plantar a próxima safra. Além disso, no Rio Grande do Sul, tem produtores com dificuldade para encontrar diesel nas últimas semanas.
“O diesel é um custo extremamente significativo dentro das nossas lavouras. Impacta em frete, impacta na operação do dia a dia. E nos assusta nós termos essa instabilidade de entrega, instabilidade de preço que está totalmente fora da mão do produtor”, afirma Fernando Rechsteiner, produtor rural e diretor da Federação de Agricultura do RS.
Da porteira pra fora, o preço dos alimentos depende do destino. O feirante Júlio César Oliveira viaja uma hora até a capital paulista para vender na feira as hortaliças que planta na chácara dele no interior:
“Dá quase R$ 400 por semana a mais. Você tem que aumentar um pouco para o cliente. Aí o cliente sai prejudicado também com esse aumento do diesel”.
Nos últimos dois meses, o diesel acumula alta de mais de 6%, segundo a Agência Nacional do Petróleo. O preço médio saiu de R$ 6,88 o litro para R$ 7,31 – mesmo com o subsídio do governo de R$ 2,12 por litro para produtores e importadores do combustível. Subsídio esse que depois vai bater lá nas contas públicas. O custo estimado é de até R$ 10,5 bilhões por mês. O economista e consultor Alexandre Schwartsman diz que a medida aprofunda o déficit fiscal do governo:
“Isso se traduz em um déficit mais elevado. Déficit é, por definição a diferença entre o que você gasta e o que você arrecada. Esse dinheiro tem que vir de algum lugar. Não é, obviamente, tudo devido à subvenção, tem muitas outras coisas, algumas muito maiores do que essa, mas, claramente, a existência de uma subvenção ali a preços de combustíveis, ela, adicionalmente, tem um custo que se traduz na forma de uma evolução mais rápida da dívida do que aconteceria na ausência dessas subvenções”.
A alta do diesel é um problema mundial. Em outubro, a Agência Internacional de Energia alertou para a queda dos estoques e a redução da oferta por causa das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Vale a regra: menos barris, diesel mais caro. E o Brasil depende da importação, lembra o professor de economia da USP Paulo Feldmann:
















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