
Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)
Ade Maleu Lapa-el – Vem integrar essa rica galeria hoje, o poeta Zé de Cazuza.
Papa – José Nunes Filho (Zé de Cazuza), nasceu no dia de Santa Luzia de 1929 em Monteiro (PB), até hoje recebe os amigos em sua Fazenda São Francisco, na Prata (PB). Além de um poeta extraordinário é com plena certeza um dos maiores divulgadores da poesia popular em todo mundo. Você pode ficar ao seu lado durante dias ouvindo-o recitar estrofes inéditas de poetas diversos. Materializou sua privilegiada memória ao escrever o livro “Poetas Encantadores”, desta obra extraímos as estrofes abaixo feitas em parceria com seu amigo Manoel Filó, relatando assunto que ele conhece como poucos.
Na água mais afastada
Apita um barco a vapor
Vai um pobre pescador
Numa pequena jangada
Com o voz entrecortada
Faz prece à Virgem Maria
Quando em forte ventania
Perdida, a jangada ronda
O mar alevanta a onda
DEPOIS DA MORTE DO DIA.
Nesse momento, o roceiro
Sai do serviço suado
Num recanto do roçado
Do milho sentido o cheiro
A ema pisa maneiro
No meio da travessia
Ao longe a acauã pia
O tatu foge da toca
A cascavel sai da loca
DEPOIS DA MORTE DO DIA.
Nessa hora o peregrino
Muda a marcha do andar
Baixa um profundo pesar
Na alma do assassino
Na igreja um velho sino
Saúda a Virgem Maria
Uma mãe, na moradia
Beija um filha que preza
Num casebre um velho reza
DEPOIS DA MORTE DO DIA.
Do vaga-lume a lanterna
Brilha na mata esquisita
Uma coruja crocita
Nos escombros da caverna
Claudicando de uma perna
Vai um velho em romaria
Para numa travessia
Da noite sentido medo
Na solidão do lajedo
DEPOIS DA MORTE DO DIA.
A galinha bate asa
Para subir no poleiro
Enquanto recende um cheiro
De café torrado em casa
Na várzea uma fonte vaza
Água quente, depois fria
Quando o verão principia
Num casebre do Sertão
Ressoa o voz do pilão
DEPOIS DA MORTE DO DIA.

















