Alepe vota criação do Dia Estadual da Cultura Popular em homenagem a Mestre Salustiano

Da Assessoria

Nesta quarta-feira, 12 de novembro, data de nascimento do rabequeiro Mestre Salustiano, pode entrar oficialmente no calendário de Pernambuco como o Dia Estadual da Cultura Popular. O Projeto de Lei, de autoria do deputado estadual João Paulo (PT), será apresentado durante sessão solene na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

A cerimônia marca o pontapé da abertura da edição 2025 do Azougue Festival de Cultura Popular, que será realizada até o domingo (16), em homenagem aos 80 anos do Mestre Salu.

Durante a reunião haverá apresentação da Quadrilha Raio de Sol Mirim e do Cavalo Marinho Boi Matuto de Olinda, grupo formado por filhos do artista, reforçando o caráter familiar e comunitário da transmissão cultural que sustentou a trajetória de Salustiano. A programação é aberta ao público em geral.

Nascido em 1945 no município de Aliança, Zona da Mata Norte, Manoel Salustiano Soares começou a tocar rabeca ainda na infância, acompanhando o pai em brincadeiras de cavalo marinho, maracatu e coco.

A influência do mestre atravessou gerações e cenas musicais. Ele é frequentemente lembrado como referência para a geração manguebeat, movimento que, nos anos 1990, recolocou ritmos populares de Pernambuco no centro da música brasileira contemporânea.

Seu diálogo com artistas como Chico Science e Siba é apontado como um dos fatores que aproximaram os folguedos rurais dos palcos urbanos.

Em 2007, Salustiano recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco. Morreu no ano seguinte, aos 62 anos, em decorrência de complicações da doença de Chagas. O velório na Casa da Rabeca, espaço fundado por ele em Olinda, reuniu músicos, mestres populares, pesquisadores e moradores da região.

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45 – MULHERES VENCEDORAS – RUTH DE SOUZA

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el – Destacaremos nesta data a atriz RUTH DE SOUZA.

Papa – Ruth Pinto de Souza nasceu no Rio de Janeiro em 12.05.1921 para se transformar em uma das principais atrizes do Brasil e ser considerada pela crítica uma das damas de dramatologia brasileira. Sua primeira infância foi em Porto do Marinho, pequena cidade mineira, perto de completar dez anos, órfã de pai, voltou para ao Rio de Janeiro passando a residir numa vila de lavadeiras e jardineiras no bairro de Copacabana e dele sair para brilhar no mundo.

Cedo demonstra interesse pele teatro, vocação esta ampliada ao assistir espetáculos no Teatro Municipal. Com a garra da MULHER VENCEDORA ingressa no momento “Teatro Experimental Negro” e estreia na temporada da “O Imperador Jones”, de Eugene O’Neill em 1945, como primeira negra a atuar naquele espaço. Ao ser indicada pelo teatrólogo, ator, poeta e diplomata Paschoal Carlos Magno ganha bolsa de estudo da Fundação Rockefeller e com ela viagem para os Estados Unidos onde durante um ano passa pela Universidade Harvard e pela Academia Nacional de Teatro Americano.

Em 1948 por indicação do escritor baiano Jorge Amado faz sua estreia no cinema em “Terra Violenta”, adaptação da obra “Terras do Sem Fim”, pela atuação junto a grande elenco fixa sua carreira no cinema. Atua em diversas obras pela “Atlântida”, “Maristela Filmes” e “Vera Cruz.” Por mérito passa a integrar o elenco fixo da Vera Cruz e participa de obras de destaque, entre outras: “Ângela, 1951”, “Terra é Sempre Terra, 1952”, e “Sinhá Moça,1953” e “Candinho, 1954”. Pela performance em “Sinhá Moça” , passa a ser a primeira atriz brasileira indicada para prêmio internacional, o famoso “Leão de Ouro, no Festival de Veneza de 1954”, perde a indicação por apenas dois pontos. Em 1958 atua na obra cinematográfica “Ravina”, um marco na cinematografia brasileira.

Nos palcos dos teatros e nas redes de televisão Tupi, Record e Globo é referência em diversas atuações. Este espaço insuficiente para destacarmos a exuberância do seu talento. Citamos “Oração para uma Negra”, “Assalto ao Trem Pagador”, e “Cabana de Pai Tomás”, nesta novela torna-se a primeira atriz negra numa grande produção televisiva. Da mesma forma descrever prêmios recebidos é missão impossível neste texto. Neste ano na novela “Garota do Momento” recebe homenagem da Globo. Ruth é um caso nítido em que o talento vence preconceitos, barreiras sociais, raciais e indiferenças. Sua cor não lhe impediu assumir lugar de destaque. Viva Ruth de Souza!

Um símbolo da luta contra o racismo.

Secult-PE abre seleção simplificada para contratar agentes culturais; veja como se inscrever

Da Assessoria

A Secretaria de Cultura (Secult) abriu seleção simplificada para contratar agentes culturais que vão atuar na Busca Ativa, ação focada nos editais do Ciclo 2 da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). As inscrições são gratuitas e ficam abertas até 09 de novembro, exclusivamente em buscaativape.com.br

A iniciativa garante apoio prático, da inscrição à prestação de contas, nas 12 Regiões de Desenvolvimento, com atenção especial a quem tem menos acesso à tecnologia e suporte técnico, para qualificar as propostas e ampliar as chances de aprovação nos editais da PNAB. O Instituto Trocando Ideia de Tecnologia Social Integrada será o responsável pelo processo seletivo.

“A Busca Ativa é uma estratégia fundamental para garantir que a Política Nacional Aldir Blanc cumpra o seu papel de democratizar o acesso às políticas culturais. Queremos que artistas, grupos e coletivos de todas as regiões tenham as mesmas condições de participar e ter suas iniciativas reconhecidas, especialmente aqueles que enfrentam maiores barreiras de acesso digital ou técnico”, afirmou a secretária de Cultura, Cacau de Paula.

A contratação contempla duas categorias: Agente de Busca Ativa, responsável por mobilização e orientação inicial nos territórios, e Agente de Balcão de Atendimento, com atendimento presencial e virtual, incluindo informações e auxílio aos proponentes. Podem se candidatar pessoas maiores de 18 anos, com Ensino Médio completo, residência em Pernambuco e disponibilidade para os horários e locais definidos pelo projeto.

O valor da remuneração será R$ 1.500,00, além de R$ 750,00 para auxílio de logística e alimentação para os agentes da Busca Ativa e R$ 1.500,00 mais R$ 800,00 para auxílio de logística e alimentação para os agentes dos Balcões de Atendimentos.

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44 – MULHERES VENCEDORAS – MARIA FIRMINA DOS REIS

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el – Hoje falaremos sobre Maria Firmina dos Reis.

Papa – Maria Firmina dos Reis, professora, escritora, compositora e folclorista nasceu em São Luís (MA) em 11.10.1825, filha e neta de escravas alforriadas poderia entrado na história como mais uma vítima da época escravocrata, mas essa MULHER VENCEDORA seguiu outra trajetória.

Para ocupar o lugar de destaque merecido por força da sua luta e talento, contou inicialmente com apoio de um tio que era professor e detentor de trânsito entre os intelectuais da época. Por méritos próprios aos vinte e dois anos foi aprovada em concurso para Cadeira de Instrução Primária. Com o cargo de professora dedicou-se para escrever, ler, pesquisar e ensinar com zelo. Escrevendo poemas, crônicas e outros gêneros se fez presente em vários jornais maranhenses. Na condição de folclorista trabalhou incansavelmente em favor da preservação da cultura local e carrega no currículo a composição de hino dedicado à causa da abolição.

Após a aposentadoria fundou a primeira escola mista e gratuita do seu estado, esta ação legitima seu compromisso com a democratização da educação, sonho este negado pelo Brasil até os dias de hoje. Participou ativamente de movimentos abolicionistas, destaque para atuação em várias manifestações coletivas que contribuíram para edição de normas legais como a Lei Eusébio de Queiroz, de 1850, a Lei do Ventre Livre, 1871 e Lei Áurea, 1888.

Tem a escritora Maria Firmina como principais obras o romance abolicionista “Úrsula”, 1859, “Gupeva”, 1861. Esta novela indianista é tido pela crítica como obra comparável com títulos ligados ao tema, escritos por José de Alencar, e “ A Escrava”, 1887. Seu estilo permite classificar sua obra literária como literatura crítica, com traços do “Romantismo”. Entre as marcas visíveis em seus livros podemos encontrar: O caráter abolicionista; A exaltação da natureza e do indianismo; A lírica melancólica e escapista; o contraste entre a beleza da pátria e o cárcere da escravidão; a crítica nacional por meio das desilusões; a representação do negro escravizado humanizado; a temática étnico-racial e feminista.

Trata-se de outro caso que o preconceito e os interesses das “elites” não destaca, segue vivo em função das verdades que expõe, verdades estas que incomodam muito as classes dominantes de um país que banaliza quase tudo.

42 – MULHERES VENCEDORAS – ENEDINA MARQUES

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el – Hoje nosso foco será em direção à Enedina Marques.

Papa – Enedina Alves Marques, professora e engenheira nasceu em Curitiba (PR), no dia 08.01.1913, para quebrar tabus e ser a primeira mulher a se formar em engenharia no estado do Paraná e ser a primeira negra a ser formada nessa área no Brasil. Título de graduação alcançado em 1945 pela Universidade Federal do Paraná.

Esta MULHER VENCEDORA foi alfabetizada em escola particular nos anos de 1925 e 1926, posteriormente ingressou na Escola Normal de onde saiu formada como professora por volta do ano 1935. Para poder exercer o magistério foi aluna do curso de Madureza no Novo Ateneu nos anos de 1935 até 1937, com esta certificação trabalhou como educadora no interior do estado, nas cidade de Rio Negro, São Mateus do Sul, Cerro Azul e Campo Largo. No final da década de 1930 fez o curso de Pré-Engenharia no Ginásio Paranaense, atualmente Colégio Estadual do Paraná, durante o período noturno. No ano de 1940 ingressou na Faculdade de Engenharia da Universidade Federal do Paraná, graduando-se cinco anos após o ingresso.

Atuou como auxiliar de engenharia na Secretaria de Estado de Viação e Obras Públicas, tendo assumido cargos de chefia nessa secretaria assim como na Secretaria de Educação e Cultura do Estado. Foi transferida para o Departamento Estadual de Água e Energia Elétrica, atuou ativamente na efetivação do Plano Hidrelétrico do estado, sendo destaque nos processos de aproveitamento das águas dos rios Capivari, Cachoeira e Iguaçu. A Usina Capivari-Cachoeira é considerada seu maior feito como engenheira. Consta que nesta época usava macacão nas obras e carregava uma arma na cintura com a qual fazia disparos para o alto com intuito de ser respeitada no ambiente machista. Outras obras que fazem parte do seu rico currículo são os prédios do Colégio Estadual do Paraná e da Casa do Estudante Universitário de Curitiba.

Entre as merecidas homenagens que recebeu podemos citar a Rua Enedina Alves Marques no bairro Cajuru, tem uma placa a ela alusiva no prédio de Tecnologia da Universidade Federal do Paraná e trecho da PR-340 que recebeu seu nome, conforme deliberação da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná. Os desafios enfrentados para estudar, sua tenacidade para superar obstáculos e ser reconhecida como referência no campo da engenharia provam que esta mulher galgou cada degrau da sua existência com perseverança. O gesto do governador Ney Braga, em 1962 ano da sua aposentadoria, atestando seus feitos como engenheira mostram seu real valor.

Governo alerta que produtores culturais devem solicitar parcelas do Funcultura até o fim de novembro

Da Assessoria

O Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura (Secult-PE) e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), alerta os produtores e produtoras culturais com projetos em execução pelo Funcultura sobre a importância de solicitar suas parcelas a receber até o mês de novembro. A medida é necessária em razão do fechamento anual do orçamento estadual, previsto para o início de dezembro, com reabertura apenas no início de 2026.

O encerramento temporário do orçamento público é um procedimento administrativo de rotina, que ocorre todos os anos, destinado à consolidação de despesas e balanço fiscal do exercício. Durante esse período, não é possível realizar novos pagamentos, o que pode impactar o andamento de projetos que ainda não solicitaram parcelas de seus recursos.

O Funcultura prevê o repasse de recursos em parcela única ou em até seis (06) parcelas, conforme as especificidades de cada projeto e as disposições de cada Edital. Contudo, ainda existem projetos antigos que preveem esse fracionamento em até seis parcelas. Dessa forma, os proponentes que deixarem para solicitar os pagamentos após o fechamento orçamentário só poderão fazê-lo novamente em 2026, desde que estejam dentro do prazo legal de execução do projeto e regulares com a prestação de contas, e quando o orçamento estadual for reaberto.

A Secult-PE e a Fundarpe reforçam, portanto, a orientação para que os produtores culturais façam a solicitação de suas parcelas ainda em novembro, evitando prejuízos na execução de suas atividades e garantindo o cumprimento dos cronogramas previstos.

Para dúvidas, informações e acompanhamento, a Unidade Financeira de Assessoria Orçamentária e Financeira do Funcultura está disponível para atendimento telefônico, de segunda a sexta-feira, das 14h às 17h. A solicitação deve ser feita por correio eletrônico, sempre através do e-mail cadastrado no CPC.

Alepe leva oficina de cordel para jovens da Funase e incentiva leitura como instrumento de transformação social

A Biblioteca da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) realiza, nesta quinta-feira (16), uma edição especial e itinerante do ‘Projeto Cordel para Todos’, voltada para jovens em cumprimento de medida socioeducativa de restrição de liberdade na Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase) da Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes. A atividade acontece das 13h30 às 15h30 e tem como proposta aproximar os adolescentes da cultura popular nordestina, despertando o interesse pela leitura e pela escrita criativa.

O encontro contará com uma oficina ministrada pelo escritor e cordelista Alexandre Morais, que vai apresentar técnicas de elaboração e estruturação de versos em cordel, além de conduzir um momento de criação coletiva. Os participantes terão a oportunidade de escrever e declamar seus próprios textos, explorando temas relacionados à superação e à valorização de suas histórias pessoais.

A iniciativa integra as ações de extensão e inclusão sociocultural da Biblioteca da Alepe, que tem ampliado sua atuação fora da sede da Assembleia, levando atividades literárias e educativas a escolas, comunidades e instituições sociais. O objetivo é estimular o hábito da leitura, e mostrar a literatura como ferramenta de reintegração social.

De acordo com o cordelista Alexandre Morais, promover uma oficina de cordel é compartilhar arte e inspirar vidas. “É também transformar os participantes em agentes culturais. Vamos provocá-los a escrever e confeccionar cordéis mostrando que todo mundo tem uma história pra contar” explicou o oficineiro.

Promoção da cidadania

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Ivanildo Vilanova: a Águia do Improviso completa 80 anos elevando a cantoria

Por Jénerson Alves*

Se fizéssemos uma enquete com o público, apologistas e até com outros cantadores sobre quem é o maior repentista em atividade, a resposta seria unânime: Ivanildo Vilanova. Consagrado como o Cantador do Século, Vilanova é um expoente, tanto como poeta quanto como liderança profissional. É chamado de ‘Águia do Improviso’. A ave possui visão apurada, bico e garras fortes, Ivanildo vê além do tempo e, com força hercúlea, defende a cantoria e a cultura nordestina.

Neste dia 13 de outubro de 2025, o repentista completa 80 anos de idade. Filho do também cantador José Faustino Vilanova, Ivanildo nasceu em Caruaru (PE). Começou a cantar profissionalmente aos 18 anos, já com uma bagagem de conhecimento invejável.

Sua obra possui inestimável valor poético. Versos límpidos, com lirismo natural e agudeza analítica. Sabe-se que o improviso nordestino tem raízes nos trovadores europeus, e a palavra ‘trouver’ significa ‘achar’ – isso porque o repentista não pensa na estrofe, mas a ‘acha’ em poucos segundos (alguns cantadores dizem que “sonham” com os versos). Dessa forma, Vilanova compôs trabalhos memoráveis, como ‘Nordeste independente’, ‘Orgulho de ser nordestino’, ‘Uma vaca matou Zé Marcolino, e eu não dava José numa boiada’, entre tantos outros.

Seu vasto conhecimento elevou os patamares poéticos da cantoria; sua ética profissional conduziu a viola aos píncaros da grandeza. Foi a partir da articulação dele que os cantadores ascenderam como artistas, mediante a instituição de cachês, horários e contratos. Ele ainda levou o repente a vários estados e até para fora do país, como aos Estados Unidos, Itália e França. Idealizou eventos grandiosos, como o Desafio Nordestino de Cantadores, no qual os poetas percorriam vários municípios pernambucanos em disputas cujas etapas finalistas ocorriam em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Com oito décadas de vida, seu talento continua o mesmo de décadas atrás. Seja nos duelos poéticos ou em participações especiais, é este o desejo de milhares de amantes da cantoria de viola: que a voz de Vilanova permaneça ecoando, revestindo de alcance e significado a essência do Nordeste.

*Jénerson Alves é jornalista, professor e poeta.

41 – MULHERES VENCEDORAS – MARIA DA PAZ

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el – Hoje destacaremos a iluminada Maria da Paz.

Papa – Maria da Paz Sousa – “Paizinha” – Maria da Paz, cantora, compositora nasceu no dia 25.03.1959 em Jaboatão dos Guararapes (PE), e adotou Afogados da Ingazeira (PE) como sua terra, nela cresceu e dela partiu para o mundo com seu infinito talento.

Essa MULHER VENCEDORA muito cedo disse para que veio ao mundo. Suas apresentações em programas de auditório promovidos pela Rádio Pajeú e realizados no Cine São José serviram de senha para seu ingresso no mundo da música. Neste espaço conquistou o segundo lugar no concurso “A mais bela voz do Nordeste”, com apenas nove anos. A sua obra tem raízes no fecundo Alto Pajeú, nas músicas de Vicente Celestino, Luz Gonzaga, Waldick Soriano, Roberto Carlos, Clara Nunes, Ângela Maria e outros tantos. Afirmava que sua formação musical foi ao pé do rádio.

Esta premiação despertou em Maria da Paz e necessidade de ingressar no universo da música, ganhou um violão da mãe, aprendeu tocar o instrumento e fez dele a sua arma do bem. No começo da década de 1970 sob a regência de Mestre Dinamérico Lopes (Seu Dino), e em companhia de jovens afogadenses participou do conjunto “Os Unidos”. Sua voz ecoou pelo mundo, seu talento foi descoberto por Demétrio, criador e dono do conjunto “Marajoara” de Sertânia (PE). Neste grupo musical, em conjunto com Charuto, galgou a fama merecida. Muita gente em todo Nordeste ia aos bailes para dançar e, principalmente, ouvir a menina da voz doce e encantadora.

O mundo lhe abriu os braços e Maria da Paz deixou-se ir. Em 1980 gravou o LP “Pássaro Carente”, álbum em que fez a melhor interpretação da música “Súplica Cearense” até esta data. Neste trabalho a compositora surge com grandeza, em cada verso a força da sua poesia é perceptível. Morou na Suíça, encantou na Europa, compôs sucessos esplêndidos para os sertanejos, voltou ao Brasil e nos presenteou com obras primas. Reservo-me ao direito de não apontar seu maior sucesso como amigo, fã e por amar cada composição sua, seria injusto comigo mesmo.

Quando nos deixou estava dando vida a belíssimo trabalho sobre Amália Rodrigues, cantora portuguesa. Tive o privilégio de assistir a gravação do CD no Teatro Santa Isabel em Recife (PE), e ver o show em João Pessoa. Maria da Paz para este cronista e fã é uma das mais expressivas vozes da Música Popular Brasileira. Sua lucidez, seu carisma e seu sorriso suas maiores marcas fora do palco. Paz e luz Maria da Paz.

Festival Pernambucano de Literatura Negra é finalista do Prêmio Jabuti 2025

Da Assessoria

O Festival Pernambucano de Literatura Negra é finalista do Prêmio Jabuti 2025 na categoria Fomento à Leitura. É o único representante do Norte e Nordeste entre os cinco selecionados para disputar o troféu, consolidando-se como símbolo de resistência e de valorização da literatura negra em território nacional.

Dois dias após estrear sua quinta edição na Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, realizada em Olinda, o festival recebeu o anúncio que o coloca no centro da principal distinção literária do país. A escolha foi divulgada nesta terça-feira, 7 de outubro, e confirma o amadurecimento de um projeto que nasceu de forma independente e hoje alcança projeção nacional.

O festival já havia conquistado lugar entre os dez semifinalistas divulgados em 25 de setembro. Agora, inscreve seu nome na lista restrita dos cinco indicados ao prêmio, que será revelado em 27 de outubro, em cerimônia no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A solenidade integra as comemorações que consagram a capital fluminense como Capital Mundial do Livro, título concedido pela Unesco para o período de abril de 2025 a abril de 2026.

A idealizadora e diretora do festival, a jornalista e escritora Jaqueline Fraga, que, enquanto autora, foi finalista do Jabuti em 2020, destacou a importância da indicação. Segundo ela, o festival cumpre a missão de ampliar espaços e amplificar a voz de narrativas negras. “Contar as nossas histórias, promover a leitura, a literatura e a cultura são missões que nos movem”.

Em 2022, o festival ganhou as ruas de forma independente, ancorado pelo apoio de parceiros, leitores e autoras que acreditaram no projeto. Dois anos depois, em 2024, a programação alcançou novo fôlego ao receber o incentivo do Banco do Nordeste e do Ministério da Cultura.

Agora, em 2025, o evento se consolida ainda mais, contando com o apoio da Fundarpe, da Secretaria de Cultura e do Governo de Pernambuco, através dos recursos do Funcultura.

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Raízes nordestinas marcam a quarta-feira na Bienal do Livro de Pernambuco

Da Assessoria

Nesta quarta-feira (08), é comemorado o Dia do Nordestino. A data homenageia Patativa do Assaré, poeta popular cearense, que morreu em 2002, aos 93 anos. Aproveitando o mote, a Bienal Internacional do Livro de Pernambuco se veste de identidade e pertencimento. Dos debates literários às performances musicais, o dia é dedicado à celebração das identidades regionais, no Pernambuco Centro de Convenções. Entre poesia, religiosidade, mistérios, música e oralidade, a Bienal reafirma o Nordeste como território fértil de criação e diversidade cultural.

O Círculo das Ideias, a manhã é dedicada aos lançamentos da Editora Bereia, com autores que exploram diferentes perspectivas sobre espiritualidade e teologia. Saulo Soares apresenta Deus? Quem é Deus?, Judite Alves lança Café com Deus: sabedoria em Provérbios e Alessandro Barreto autografa A Adoração ao Espírito Santo.

À tarde, o espaço se abre para reflexões sobre a cultura nordestina e o mercado editorial. O encontro “Tour das Bienais por Aldeia de Livros: Nordeste em Foco” reúne Alexandre Almeida, Ítalo Damasceno e Deco Lipe, com mediação de Larissa Viana. Na sequência, o professor Filipe Fernandes apresenta o Projeto Atlas do Livro de Pernambuco, que busca mapear a produção literária do Estado rumo à marca de 200 mil obras visíveis.

Encerrando o dia, o debate “Raízes do terror latino-americano” provoca uma reflexão sobre como o medo e o imaginário fantástico ainda moldam a literatura do continente, com Lucas Santana, Victor Valeffort, Brenda Evelyn e Apolo Andrade, sob mediação de Lucas Barros. À noite, o bate-papo “Recife Assombrado: diálogos entre o Cinema e a Escrita”, com Adriano Portela, Roberto Beltrão e Tenório, une literatura e audiovisual.

Música, poesia e performance

O Palco Sesc Além das Letras começa o dia com o espetáculo de dança “Chico Science e Maracatu”, apresentado pela Erem Beberibe, e segue com o Sarau da Academia de Letras e Artes de Paulista. No fim da tarde, o público confere apresentações musicais do grupo O Curioh, do Coro Juvenil do CPM e o número “Canções dos Reinos Perdidos”, que encerra a programação do palco.

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40 – MULHERES VENCEDORAS – BETH MENDES

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el – Hoje falaremos sobre a atriz e a política Beth Mendes.

Papa – Elizabeth Mendes de Oliveira – Beth Mendes, atriz e política nasceu no dia 11.05.1949 em Santos (SP), filha de militar da aeronáutica iniciou a carreira de atriz na extinta TV Tupi, mas na TV Globo alcançou o auge da carreira ao desempenhar papéis de destaque em mais de quarenta novelas e minisséries. De “Águias de Fogo” em 1967 (Tupi), “Caso Especial” e a novela “O Rebu”, de 1974 (Globo), até “Garota do Momento”, em 2024 na Globo foram interpretados personagens fortes na televisão.

Essa MULHER VENCEDORA, que nos emocionou também no teatro e em filmes diversos teve participação ativa na política. Em 1970 foi presa sob acusação de integrar o grupo de esquerda Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (Var-­Palmares), desenvolvia esta atividade clandestina simultaneamente com atividade escolar, cursava Sociologia na Universidade de São Paulo (USP). Foi torturada e após ser libertada abandonou o curso, posteriormente graduou-se em Artes Cênicas na USP.

A política Beth Mendes ganhou dimensão superior durante a “Campanha das Diretas Já” que nas ruas foi buscar apoio para aprovação da “Emenda Dante de Oliveira” que defendia a eleição direta para presidente. Com a derrota da emenda e a eleição de Tancredo Neves no “Colégio Eleitoral”. A deputada Beth Mendes, para muitos taxada como uma das musas do movimento, manteve sua coerência com a luta em favor da derrubada do regime e votou no candidato da oposição contrariando orientação do Partido dos Trabalhadores (PT), esta atitude custou-lhe o afastamento da agremiação política.

Para legislatura de 1987/1991 foi reeleita deputada federal, desta vez pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), Por ter assumido o cargo de secretária Estadual de Cultura de São Paulo, no período de 15.03.1987 até 21.12.1988 a combativa deputada não teve atuação regular durante a elaboração da constituição de 1988. Tenho clareza que a cultura paulista ganhou uma defensora, mas, o Brasil perdeu um voz ativa no processo da Carta Magna. Na condição de parlamentar, cidadã ou agente pública no executivo foi sempre uma incansável defensora do movimentos sociais, dos direitos humanos e/outras batalhas em favor dos excluídos. Exerceu papel de liderança no meio artístico ao defender melhorias nas relações trabalhistas  para seus pares. Beth Mendes é uma mulher que merece aplausos por suportar o terror da ditadura, do radicalismo partidário e seguir firme em defesa da justiça social.

39 – MULHERES VENCEDORAS – GLÓRIA MARIA

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el – Hoje falaremos sobre Glória Maria, ícone do jornalismo.

Papa – Glória Maria Matta da Silva, jornalista, repórter e apresentadora, nasceu no Rio de Janeiro no dia 15.08.1949, no boêmio bairro Vila Isabel. Trabalhou como telefonista na TELERJ. Pisou na TV Globo na condição de princesa do bloco carnavalesco Cacique de Ramos, em apresentação no Programa de Chacrinha. Foi contratada como estagiária. Essa MULHER VENCEDORA superou muitos obstáculos após ser efetivada no Departamento de Jornalismo da TV Globo e se destacar na gigante do mundo televisivo brasileiro. A segurança com que entrava ao vivo em coberturas jornalísticas de impacto tais como a queda do Elevado Paulo de Frontin foi a ponte para assumir o papel de âncora. Esteve na bancada do RJTV, Jornal Hoje, Fantástico e Jornal Nacional.

Nada obstante o conforto da redações e linhas de edição de telejornais Glória Maria com ímpeto dos grandes jornalistas legitimou-se com coberturas de fatos como Guerra das Malvinas, território Palestino e reportagens para diversos programas da Globo em lugares exóticos e perigosos, foi de fato uma mulher com coragem invejável. Fez reportagens de tirar o fôlego com extrema competência. Tem a sua biografia o histórico de ter realizado reportagens especiais em mais de 100 países. Com um estilo próprio entrevistou celebridades como Michael Jackson, Freddie Mercury, Harrison Ford, Nicole Kidman, Leonardo Di Caprio, Madona, etc. no auge da carreira pediu licença da TV Globo e na condição de voluntária desempenhou, sem holofotes, papeis de relevância em ações humanitárias na Índia e na Nigéria.

Os dois depoimentos abaixo transcritos servem como referência para o menina de Vila Isabel, pela contundência nas afirmações: “Fui a primeira mulher a fazer matérias de aventura na televisão, a voar de asa-delta, a cobrir guerra. Mas acho que fiquei conhecida mesmo porque subia em todos os morros e favelas sem problemas”;  “Quando eu comecei, não tinha noção sobre ser pioneira. Eu via através de cartas que recebia a grande importância de estar ali, fui a primeira mulher a cobrir guerra, a apresentar jornal à noite, a primeira negra a apresentar o ‘Fantástico’. No início, eu não tinha noção, mas com a resposta do público eu passei a entender isso. As pessoas me davam parabéns por eu ser mulher e negra ocupando aquele espaço”. Percebe-se claramente que a fama merecida que lhe proporcionou receber vários prêmios foi gerada no campo de batalha dos grandes jornalistas, isto é, onde os fatos acontecem. Neste quesito Glória Maria também é exemplo, deixou o estúdio e foi à rua, os perigos nunca foram fatores impeditivos para apresentar belas e úteis reportagens.

38 – MULHERES VENCEDORAS – BETH CARVALHO

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el – Hoje vamos trazer para o palco Beth Carvalho.

Papa – Elizabeth Santos Leal de Carvalho – Beth Carvalho, cantora, compositora e instrumentista nasceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 05.05.1946 para torna-se uma referência no mundo da música e uma mulher de luta pelas causas socais.

Na história vitoriosa dessa MULHER VENCEDORA podemos encontrar que pelas suas interpretações ela deu voz, vez e fama para artistas e grupos musicais, entre os quais destacamos: Luiz Carlos da Vila, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Arlindo Cruz, Fundo de Quintal e Quinteto em Branco e Preto.

Ao mergulharmos em dados da sua biografia detectamos que Beth Carvalho conviveu em ambiente fértil para desenvolver seu potencial. Sua avó e sua mãe tocavam instrumentos de cordas, violão e bandolim e piano clássico, respectivamente. Vânia a sua irmã, era cantora de samba. Sílvio Caldas, Elizeth Cardoso e Aracy de Almeida faziam parte do ciclo da amizade do seu pai. Fez balé, estudou e foi professora de música. Com o pai foi assídua em ensaios de Escolas de Samba. Começou cantar sob influência da bossa nova.

No ano de 1965 gravou um compacto simples, em 1968 participou do movimento “Musicanossa” no Teatro Santa Rosa, de Ipanema. Neste mesmo ano foi classificada em terceiro lugar no III Festival Internacional da Canção (FIC), cantando “Andança” de Paulinho Tapajós, Danilo Caymmi e Edmundo Souto. A partir deste momento sua fama, merecidamente, cresceu. De “Porque morrer de amor, 1965” até “Nosso samba tá na rua, 2011” foram lançados em torno de quarenta de discos e CDs, quatro DVDs e uma coletânea em 2005. É praticamente impossível destacar seu maior sucesso, assim como relacionar as homenagens recebidas das Escolas de Samba do Rio de Janeiro e São Paulo, os prêmios recebidos e as turnês realizados no Brasil e no exterior.

Para este cronista, o ativismo político de Beth Carvalho vinculado aos movimentos de esquerda e apoio às candidaturas progressistas que nasceram nos anos 1960. Época que seu pai foi cassado pelo regime militar de 1964 e das marcas que ficaram com as lutas empreendidas para superar dificuldades advinda com a cassação. Além de grande personalidade do mundo musical foi uma mulher de luta em favor das minorias, dos excluídos e combate às injustiças que imperam neste país de tantos desequilíbrios, expôs sua posição política sem temer críticas ou danos a vitoriosa carreira.

37 – MULHERES VENCEDORAS – CHICA DA SILVA

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el – O destaque hoje será Chica da Silva.

Papa – Francisca da Silva de Oliveira – Chica da Silva, escrava, mítica, filantropa nasceu no ano de 1732 em Serro. Viveu no Arraial do Tijuco, posteriormente Diamantina, estado de Minas Gerais, filha da escrava Maria da Costa, oriunda da África Ocidental e do português e capitão de ordenança Antônio Caetano de Sá.

De acordo com versões de Schuma Schumaher e de Érico Vital Brasil Chica da Silva teve um filho chamado Simão do seu primeiro proprietário o médico português Manuel Pires Sardinha. Mesmo com impedimento legal para assumir a paternidade Sardinha concedeu alforria ao menino e nomeou-o herdeiro. Ao completar vinte e dois anos Chica da Silva foi tomada propriedade de João Fernandes de Oliveira, desembargador que chegou ao Arraial do Tijuco no ano anterior para cuidar de negócios relacionados com o garimpo de diamantes em função de contrato celebrado pelo seu pai com a Coroa portuguesa. Com o relacionamento entre os dois o desembargador concedeu-lhe a alforria, tornando-se uma cidadã livre.

Desta relação, em formato de concubinato, o casal teve treze filhos: nove mulheres e quatro homens. A MULHER VENCEDORA Chica da Silva, enfrentando todo tipo de preconceito em relação a sua conduta, manteve a dignidade necessária para ser a grande mulher que foi. Muitos apontamentos destacam que Chica da Silva soube angariar recursos suficientes para construir um patrimônio que legitimou sua capacidade administrativa, fazendo-se ser respeitada. Com habilidade e valores morais aderentes com os costumes da época Chica da Silva defendeu a sua inserção social e a de seus filhos na elite do arraial, sem recorrer ao poder de João Fernandes de Oliveira.

Por força da reconhecida intolerância da nossa sociedade em relação as conquistas de afrodescendentes, espacialmente mulheres, que insiste em desqualificar seus méritos e busca dar destaque para condutas inadequadas – segundo padrões criados por essa preconceituosa elite -, nossa história não dar para Chica da Silva o seu real valor. Para destacar a importância da arte e da cultura na valorização das pessoas, transcrevemos o recorte abaixo, extraído do samba enredo em sua homenagem da Escola de Samba “Acadêmicos de Salgueiro”, ano de 1963: “…E a mulata que era escrava/Sentiu forte transformação/Trocando o gemido da senzala/Pela fidalguia do salão – Com a influência e o poder do seu amor/Que superou a barreira da cor…”. Viva a liberdade, viva Chica da Silva e sua luta em favor da sua gente.